Lula admite que poderá ser condenado e prepara candidatura de Fernando Haddad, diz a Folha

Apesar de, em público, continuar  pregando sua candidatura a presidente em 2018, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva admite em reuniões privadas do PT que dificilmente disputará a eleição, pois sabe que as chances de ser condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro são reais, por isto estaria trabalhando a candidatura do seu ex-ministro de Educação e ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, como provável candidato a fim de não deixar o PT fora da disputa.

A revelação é do jornal Folha de São Paulo, em reportagem publicada nesta terça-feira (29), assinada por Igor Gielow. Segundo o jornalista, “em reuniões recentes durante a caravana nordestina, Lula deixou claro a interlocutores que considera que terá sua condenação por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá confirmada em segunda instância antes do começo da campanha eleitoral”.

Fernando Haddad, que foi derrotado em primeiro turno na eleição do ano passado e deixou a Prefeitura de São Paulo com baixo índice de popularidade, tem se articulado neste projeto em viagens pelo país. Por onde passa, no entanto, diz que Lula é o candidato, mas nunca nega a possibilidade de ser lançado em seu lugar.

Ainda de acordo com a reportagem da Folha, Lula sabe que, mesmo sendo absolvido, há setores do PT que avaliam estar o jogo mais favorável para um candidato de centro-direita, apesar do desgaste de Michel Temer, por isto o ideal seria o PT ter alguém mais próximo desse perfil e o ex-prefeito paulistano seria o nome ideal.

Igor Gielow diz também em sua reportagem que “neste momento, o plano de Lula está focado na montagem do arcabouço para o PT manter-se acima da linha d’água em 2018, trazendo o que sobrar da implosão do PSB para seu lado. É uma operação complexa, que foi discutida durante jantar que reuniu Lula, o governador Paulo Câmara (PSB-PE), um antigo desafeto do petista, e a viúva de Eduardo Campos, Renata, na quinta (24), no Recife”.

E continua a reportagem: “A fatia governista do PSB, que inclui a órbita do ministro Fernando Coelho Filho (Minas e Energia), está negociando com o DEM. Para atrair o grupo mais à esquerda do partido, descontente com a adesão a Temer, Lula tem um trunfo duplo. Primeiro e mais fácil, a vaga de vice. Segundo, o apoio à candidatura de Márcio França (PSB) ao governo de São Paulo em 2018”.

França é vice de Geraldo Alckmin (PSDB) e quer se candidatar ao Palácio Bandeirantes, mas já foi descartado pelo governador paulista em nome de uma aliança nacional dos tucanos com o DEM e talvez o PMDB. A questão é que ele é visto como muito próximo de Alckmin, o que dificultaria uma aliança nacional com o PT contra o padrinho, caso seja mesmo o presidenciável.

Outra avaliação dos petistas é que, além do PSB e de aliados naturais como o PCdoB, é uma desidratação da pré-candidatura de Ciro Gomes e o PDT migrar para o lulismo. Por outro lado, Ciro sonha em ter Haddad como vice, mas no PT poucos confiam no ex-governador, visto como mercurial, para ficar em termos elegantes.

Por fim, a manutenção da candidatura de Lula serve para sua defesa, já que adensa a figura a ser julgada. A esperança no PT é a de que a pena seja reduzida, evitando a prisão ainda que o inabilite.

 

 

 

 

 

DD dia a dia — Lula — CONTRA — Foto: Divulgação

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