Prefeitura e Movimento População de Rua promovem ação de saúde para mulheres de São Luís

Com a proposta de promover educação em saúde para prevenção do câncer do colo do útero, a Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social (Semcas), em parceria com o Movimento Nacional da População de Rua (MNPR), realizou nesta terça-feira, 31, o projeto “Papanicolau para Elas”, no Convento das Mercês. Na ocasião foram atendidas mulheres em situação de rua e vulnerabilidade social da área do Centro Histórico.
A programação foi aberta com a palestra “Câncer uma doença sem classe”, apresentada por profissionais da Fundação Antonio Jorge Dino, que abordaram assuntos como as doenças sexualmente transmissíveis.
No entanto, a principal atividade foi a realização do exame, em pelo menos 30 mulheres. A articulação com as instituições que integram a rede de atendimento a este público, como Semcas, Semus, Tribunal de Justiça do Maranhão e Defensoria Pública do Estado do Maranhão, garantiu um circuito de palestras. Houve ainda a exibição do documentário “Nós da Rua”.
Segundo a coordenadora do Serviço de População de Rua da Semcas, Floripes Pinto, o projeto veio reforçar uma ação que já faz parte do cotidiano nas unidades dos Centros Especializados para População em Situação de Rua de São Luís. “É determinação do Prefeito Edvaldo que o público em situação de risco e vulnerabilidade social tenha acesso a todas as políticas públicas do município. A Semcas mantém articulação com a rede da saúde e parceria com instituições de ensino superior, que ofertam a estes usuários orientação, informação e encaminhamento aos serviços de saúde, se necessário”, diz a coordenadora.
Além das palestras e encaminhamentos, a cada três meses o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), unidades Anil e Lira, realizam a triagem rápida de HIV, hepatite e sífilis entre os usuários do serviço para população de rua.
O coordenador do Movimento Nacional da População de Rua, Kelvin Bandeira, destaca que as pessoas em situação de rua não sofrem apenas com as drogas, mas outros problemas de saúde como diabetes, hipertensão, doenças sexualmente transmissíveis. “Esta ação é importante porque além de promover a prevenção do câncer, gera nessas pessoas o entendimento de que elas podem e devem se cuidar”, acrescenta Kelvin Bandeira.
Ele esclarece que os resultados dos exames realizados hoje serão entregues no Posto de Saúde do Centro, para as mulheres que moram no Centro Histórico. Já as que estão em situação de rua e são atendidas pelas unidades de Centro Pop, Beira Mar e Anil, receberão os resultados nestas unidades.
Os casos diagnosticados serão encaminhados para tratamento no Hospital Aldenora Belo. O câncer do colo do útero é o terceiro tipo mais frequente na população feminina, atrás apenas do câncer de mama e do colorretal. É também a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil.
Taís de Fátima, que passou sete anos nas ruas – que foi beneficiada com aluguel social e agora espera receber uma casa pelo Programa Minha Casa Minha Vida -, falou sobre a importância do projeto para a população de rua. “O nome já diz que é um preventivo, estamos nos prevenindo para não ter um problema. Antes não havia este privilégio pra gente, antes a gente ficava na calçada como lixo, hoje com a ajuda da Semcas as coisas estão diferentes”, festeja a mulher de 27 anos que atualmente integra o Movimento Nacional da População de Rua.
Movimento
O Movimento Nacional da Pessoa em Situação de Rua existe em 13 estados brasileiros. Em São Luís foi criado em agosto de 2015 e tem o papel de provocar melhorias nas políticas públicas direcionadas a este segmento. É composto apenas por pessoas que estão em situação de rua ou têm vivência das ruas.
São Luís é referência nacional no atendimento à pessoa em situação de rua, com a implantação de dois Centros de Referência Especializado de Atendimento à População em Situação de Rua e um Abrigo Institucional, que prestam serviços como higiene, café da manhã, palestras, almoço, encaminhamento a serviços das demais políticas, como saúde, acesso a cursos de capacitação profissional, emissão de documentos e acompanhamento com psicólogos, assistentes sociais e pedagogos.

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